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segunda-feira, 28 de maio de 2012

CULTURA CELTA

                                                             A CULTURA CELTA
 
 
 
"A cultura celta se difundiu pela Europa e, na atualidade, é tida como referência no mundo mágico e espiritual.
Os povos celtas estiveram espalhados por quase todo o continente europeu. Não formaram um império, nem possuíam um governo centralizado. Não tinham um sistema de escrita e, portanto, a precisão cronológica sobre seu surgimento se baseia em escavações e em muitas pesquisas, datando de 1800 a 1500 a.C., na Europa Central e Ocidental.

Viviam em tribos e, apesar de não possuírem uma etnia homogênea, a língua e a religião representavam o elo entre eles. Sua cultura é repleta de magia, espiritualidade e culto à natureza. Acreditavam que as palavras registradas graficamente comprometiam a realidade e a energia dos fatos, podendo criar interpretações incorretas da verdade.

Para os celtas, o mundo estava em constante transformação, noção baseada na experiência de observação e de adoração da natureza; o importante é o presente, o momento, a harmonia e a saúde do corpo e do espírito.

Os celtas estiveram presentes em praticamente todo o continente europeu, que possui fragmentos de sua cultura. O seu habitat inicial era o sudoeste da Alemanha, Europa ocidental e central. Com o domínio da agricultura, tecnologia na cerâmica e no bronze, ao longo de séculos, eles invadiram França, Espanha, Tchecoslováquia, sula da Alemanha, Áustria e Grã-Bretanha. A sua história se estendeu por cerca de dois mil anos (de 1800 aC até o final do século 1 dC). A partir de 660 aC, invadiram a Península Ibérica e, até metade do século 2 aC, expandiram para Ucrânia, Grécia, Ásia Menor, Gália e grande parte da Itália. Quando se fala dos povos celtas, não se fala de um império celta, porque eles viviam em tribos independentes; o poder era dado ao rei, escolhido pelo grupo, e que cuidava do bem-estar da sua comunidade. Quando uma tribo atingia um número determinado de habitantes, ela se dividia. Uma parte para outro lugar a fim de organizar uma nova aldeia, seguindo o sinal que era fornecido pelas aves totêmicas, até chegarem às novas terras. Eles eram organizados política e socialmente em tribos independentes que, ao longo dos anos, foram se espalhando pela Europa. Não são considerados um povo com etnia homogênea, as possuíam a mesma língua e religião, que servia como um elo entre os membros das diversas tribos, dando-lhes a característica de “celta”.

O cotidiano celta era repleto de uma magia natural, que acontecia através da forma com que observavam o mundo. Para os celtas, os mundos físico e espiritual eram um único mundo; não havia separação entre o natural e o sobrenatural. Eles enalteciam o universo natural, reconheciam seu valor na sua energia. A sua mitologia e religião estavam centraliza, representando o amor, a morte, a sexualidade e a fertilidade.

O celta percebia que todo homem pertence à grande teia da natureza, e que a vida é uma sucessão de novas experiências e descobertas. Alguns lugares eram considerados sagrados por possuírem uma energia especial, da mesma forma que algumas épocas do ano (estações) eram festejadas com os famosos sabás.

Pode-se dizer que a magia sempre esteve presente no cotidiano celta e podia ser praticada por qualquer um, apesar da existência dos druidas, sacerdotes organizados num clero.
A sociedade celta era semipatriarcal. O povo era dividido em tribos que tinham o seu rei, o seu druida, e esse povo tinha suas crenças religiosas ligadas à natureza, à Mãe Terra. Para o celta, a mulher era especial, e muito, porque era associada à Mãe Terra.

As mulheres eram vistas como aspectos vivos da criação, porque vivenciavam todos os meses com o ciclo menstrual, o processo da vida, morte e renascimento, além do poder de gerar vidas. Dergflaith era um dos nomes célticos dado à menstruação, e significava “soberania vermelha”. O vermelho representava soberania, poder, vida. Pense então nos mantos vermelhos dos reis. A menstruação tinha conotação de sagrado, porque acreditavam que a mulher se tornava ancorada e enraizada nesse período. Nos períodos de menstruação, as mulheres se isolavam numa cabana ou se dirigiam à floresta, compartilhavam sobre os problemas da tribo.

Outro ponto que pode ilustrar o poder feminino se refere ao ritual religioso e mágico hieròs-gámos (casamento sagrado), no qual uma mulher que tinha o poder mágico representava a Deusa e concedia aos reis e heróis grandes poderes.

Dentro da sociedade celta, a mulher dominava a religião. Podia ser uma guerreira e podia escolher o seu parceiro. Quando ela se casava, trazia para o casamento seus bens, e se eles fossem superiores aos do marido, ela se tornava chefe do casal. Há ainda uma coisa importante para se dizer com relação a concepção de união eterna e fidelidade, nem de traição. No casamento, previlegiava-se o amor, ao mesmo tempo em que o casamento era visto como um contrato que poderia ser rompido, pois existia o divórcio. São concepções interessantes para uma época tão distante porque, na verdade, a mulher celta era tudo o que a mulher de hoje “briga” muito por ser.

A primeira grande lição que os celtas nos dão é a da observação e do respeito pela natureza. Levavam sempre em consideração a Roda do Ano (estações), os elementos da natureza, os pontos cardeais, o Sol, a Lua, e valorizavam a energia de tudo o que os rodeava. Eles reconheciam a energia dos elementos da natureza. A terra, o ar, o fogo, e a água são representações e formas diferentes de energia, e a partir desses elementos todas as coisas são formadas. É o que chamamos de energia elemental, seres do mundo espiritual cuja tarefa é dirigir o poder divino para as formas da natureza.

As pedras, por exemplo, eram consideradas como as energias espirituais mais antigas da Terra, e guardavam ensinamentos profundos, que eram revelados quando eram reverenciadas. Toda a Bretanha, Irlanda e Grã-Bretanha possuem pedras verticais espalhadas por diversas regiões, com tamanhos diversos. Os celtas se relacionavam com os elementos e com os seres elementais em seu cotidiano e em rituais de magia. A própria mitologia celta nos dá provas disso quando relata histórias nas quais os heróis se perdem no Outro Mundo, repleto de seres elementais.

A religião celta possui algumas características xamãnicas, pois estava sempre em contato com a natureza e os seus espíritos. Para eles, por exemplo, os animais possuem dons especiais para a cura e sempre nos dão grandes lições de vida. Animais totêmicos representavam a tribo e serviam como proteção. O ogham, alfabeto celta utilizado pelos druidas, é conhecido como alfabeto da árvore, no qual cada letra representa uma árvore com energia e características específicas. Os druidas, como os xamãs, recebiam revelações por sua interação com o Outro Mundo, praticavam a adivinhação e faziam o uso do tambor, da dança e do cogumelo amanita buscaria em seus rituais.

As raízes da Wicca estão na antiga religião celta e, por conseqüência, no druidismo. Sua essência básica é centrada na Grande Mãe, a figura do Divino Feminino, mas a tradição Wicca possui uma grande carga de elementos que não faziam parte da religião celta. Esses elementos vêm da Magia Ritual, Cabala, tradições da maçonaria e até mesmo da Golden Dawn. Existem boatos de que Crowley, famoso ocultista do século 20, teria “encomendado” ao seu amigo Gardner a criação da Wicca para popularizar a religião Thelêmica, e sabemos que foi através das obras de Gardner que o paganismo foi ressuscitado.

O pentagrama, por exemplo, surge como símbolo de paganismo moderno, e não é um símbolo de origem celta. Ele era usado na Mesopotâmia por volta de 3.500 a.C. e, através da cultura judaica da cabala, acabou fazendo parte dos rituais da tradição Wicca. Outro exemplo que posso citar é o uso do athame ou punhal nos rituais wiccanos, como canalizadores de energia, fato desconhecido na religião celta.

Para o celta, a religião e a magia eram algo muito natural, fazia parte do seu cotidiano.
 
A filosofia de vida celta era muito simples: observar as grandes lições da Mãe Natureza, o que é uma grande dificuldade para o homem moderno. Para eles, a vida era um eterno movimento cíclico de transformação permanente: nascemos, crescemos, morremos e renascemos. Há o momento certo para cada coisa: arar a terra, semear, colher. As estações do ano são a prova da Natureza de que sempre, após um inverno rigoroso, há a chegada da primavera. Eles nos mostram que é preciso aprender a perder para ganhar depois.


Cada problema ou situação difícil, cada “doença” contém uma bênção para a cura e liberdade. Os celtas acreditavam que podemos, com responsabilidade e respeito, acionar os planos superiores, o Outro Mundo. Para, eles, o Outro Mundo, com sua graça de mistérios, está em nosso interior. Toda pessoa possui dentro de si uma chama, uma fogueira tranqüila, uma alma. É preciso perceber a sua alma, realizar uma ligação com a sua chama interior, mostrando que é preciso estar sempre ligado à sua própria essência.

Outra coisa muito bonita e importante nos ensinamentos celtas é o valor que eles davam à amizade, coisa rara nas sociedades modernas em que as pessoas sempre se esquivam das outras, por medo de serem “sugadas”. Para esse povo, uma amizade ultrapassava qualquer fronteira, qualquer plano. Existe a expressão gaélica que retrata muito o valor que davam à amizade, anam cara (amigo da alma), que O’Donohue retratou de uma forma encantadora em sua obra. O conceito de amizade deu aos celtas a idéia de companherismo, solidariedade, fidelidade, amizade profunda e especial. Além de seus conceitos sobre a vida, o universo mágico celta pode nos auxiliar a adquirir mais equilíbrio, tranqüilidade, vigor, prosperidade, coragem, amor em nosso dia-a-dia, através de suas antigas práticas de magia com elementos da natureza. A natureza está aí: é só acionar a sua energia.

O caminho da espiritualidade ou religiosidade celta pode ser seguido, hoje em dia, individualmente, ou ele necessita um mestre, um facilitador !

A espiritualidade e sua religiosidade podem ser seguidos por qualquer um. Existe muita gente com “espírito celta”, e nem sabe disso. São aquelas pessoas que respeitam a natureza, compreendem os processos e ciclos da vida e possuem amigos."

Extraído da revista Sexto Sentido 44; 34-39

terça-feira, 15 de maio de 2012

África por um africano




No limiar do terceiro milênio, qualquer um que olhar ou quiser se interessar pela África, não pode dispensar-se de refletir seriamente sobre as causas profundas, internas e externas, que provocam os conflitos, que continuamente funestam e empobrecem o continente em todos seus aspectos.

   Terra de todos e de ninguém

   Muito frequentemente, a África é apresentada pela mídia (sobretudo do Ocidente) como um mundo atormentado por conflitos, guerras tribais e civis; ou também como o continente da fome, castigado pelo subdesenvolvimento, necessitado de tudo. Segundo o recente Programa Alimentar Mundial (WFP) e African Hunger Alert, pelo menos 38 milhões de africanos estão em situação de risco, sobretudo na região subsaariana e particularmente na Etiópia.

Sem esquecer a desertificação, que se soma às tantas feridas do continente. Outro fenômeno desastroso é a epidemia da Aids, que dizima as populações, especialmente os jovens, pondo em risco a própria sobrevivência futura do continente. Existem hoje na África milhões de refugiados, que vão do Sudão ao Burundi e à Ruanda, de Angola à Serra Leoa e à Libéria, da Costa do Marfim à Somália... e poderíamos continuar a lista.

A maioria deles desconhece o verdadeiro motivo de seu exílio, fundamentalmente baseado sobre causas políticas e econômicas, que os despojam do necessário. Estamos, portanto, diante de uma África de desamparados, de pessoas que não têm pátria, não têm alimentos, embora sejam ricas de todos os bens; que são destituídas até da própria dignidade, apesar de terem sido os antepassados da humanidade. Uma África pobre e mendiga, levada à miséria pelas mesmas razões políticas que difundem uma cultura de corrupção e de mentira através do continente. Com o desgoverno, muitos políticos contraíram dívidas externas absurdas, a ponto de tornar impensável a esperança de um futuro melhor e de um bem-estar plausível.

Praticamente, tratar-se-ia de uma África que nada conta, que pode não valer nada e que nem deve valer nada. Ao mesmo tempo, estamos convencidos de que a África não é, e jamais deveria ser, um “terreno de jogo” para as potências econômicas e as multinacionais e, menos ainda, uma abstração, porque ela se apresenta, de fato, seja como o berço da humanidade (basta pensar na herança universal de Tebas e de Alexandria, no atual Egito, e de Cartago, por exemplo), seja como sofredora (onde a vida se tornou difícil em todos os níveis) e, hoje, como terra da promessa, pois contém grande parte dos recursos naturais e alimentares da humanidade. A África se apresenta, assim, como terra de todos e de ninguém.

Atividades sociais, comunitárias e religiosas nas aldeias


No contexto da globalização, perguntamo-nos:


- que lugar ocupa o continente e qual é seu papel para o próprio desenvolvimento? Seria necessário saber se, em tal processo, a África assimila ou se é assimilada; se é considerada como mercadoria, e que, portanto, fica sujeita às leis do mercado, e a que preço está avaliada.


A outra África


Existe, porém, uma outra África; a dos valores humanos e espirituais, que muitos desejam guardar como uma cultura e uma riqueza a serem oferecidas à humanidade. Fala-se também da fuga de cérebros. De fato, muitos intelectuais, que suscitam muitas esperanças no seu povo, vivem em outros continentes por razões políticas, econômicas ou culturais.

A África tem, pois, a capacidade de virar a página e de dar novo sentido à sua história. A mudança política de governo em alguns países, por exemplo, no Quênia, na África do Sul e no Senegal, é semente de esperança para uma nova África, almejada por todos, e que só será edificada com a contribuição de todos, inclusive com os da diáspora.

Alguns nomes excelentes podem ser citados como sinais de esperança:

Wole Soyinka (prêmio Nobel de Literatura), Ki Zerbo (historiador), Nelson Mandela (prêmio Nobel da Paz e ex-presidente da África do Sul), Kofi Annan (Secretário-Geral da ONU), a senhora Wangari Maathai (prêmio Nobel da Paz). Eles são uma contribuição preciosa para a civilização africana e para a edificação de uma nova humanidade. É certamente possível estimular o progresso e a pesquisa para o desenvolvimento do continente em todos os aspectos:

→ cultural, econômico, político, baseando-se na própria mentalidade africana. A civilização africana tem origem comum e é urgente reconsiderar este aspecto para seu desenvolvimento. A atual divisão política africana foi um ato de arbitrariedade do colonizador.

As fronteiras impostas por ele secionaram tribos e dividiram etnias, transformando-as em inimigos comuns. Os especialistas consideram o período colonial na África como a época da morte de suas grandes culturas e civilizações. A instabilidade política de muitos países nasceu naquela época. O colonialismo, porém, não conseguiu criar uma nova civilização ou cultura africana. O que o sistema colonial criou foi uma estrutura superficial, sem qualquer raiz profunda na cultura africana original. É necessário retornar a esses espaços culturais para redescobrir a identidade africana, sobre a qual construir um futuro sólido, um progresso que corresponda ao caminho gradual do povo.

É, pois, possível recuperar a harmonia, a paz e a unidade na sociedade africana, revalorizando as instituições sociais de base, reabilitando as figuras carismáticas, como as dos chefes tribais e líderes de aldeias, que, mesmo respeitando os atuais sistemas de governo (com chefes-de-estado e chefes-de-governo), e neles se integrando, permanecem – todavia – como verdadeira referência na organização social africana. 

Seria também desejável seguir o exemplo de alguns países, como Camarões, em que os governantes introduziram o sistema político duplo, quer dizer: a câmara dos chefes tradicionais ao lado da dos deputados. Tal mecanismo evita que os governantes deslizem para um “Estado de Poder” ou um “Estado de Governo Autoritário”, o que torna possível estabelecer-se um modelo de governo em que política e economia estejam completamente a serviço dos cidadãos, um modelo de governo “à africana”.

Devemos elogiar o trabalho realizado pela OUA (Organização da Unidade Africana) – ver box, pág 24 –, mas ainda não se concretizou o “milagre econômico” continental e nem um sistema monetário único para a África toda. Na área econômica, muitas ações já foram realizadas: o lançamento do Mercado Comum da África Austral e Ocidental (COMESA); o espaço de Livre Comércio no contexto da Comunidade da África do Norte; as decisões sobre o sistema monetário, tomadas e adotadas pela Comunidade Econômica dos Estados da África do Oeste (ECOWA), que levaram à elaboração de um protocolo de intenções entre a Comunidade Econômica Africana e as Comunidades Econômicas Regionais.


Processos de unificação


A novidade, hoje, é o nascimento da União Africana, por ocasião da celebração do 38o aniversário da OUA, em Adis-Abeba (Etiópia). Se a OUA exerceu um papel preponderante na libertação dos países de condicionamentos coloniais, nos anos sessenta, e os levou à independência do Ocidente (pelo menos de maneira formal), o novo organismo – a União Africana – tem a tarefa de libertar o continente do neocolonialismo político e econômico deste mesmo Ocidente que, através da globalização, agora tende a controlar os processos econômicos dos Estados africanos independentes.

A criação de um Parlamento Pan-Africano (PAP) é de capital importância, como também o é a criação de um sistema monetário africano único:

- um Banco Central Africano e uma única moeda para as operações econômicas com todos os sistemas monetários do mundo. Atualmente, mais de 80% dos chefes-de-estado e de governo africanos já aderiram ao projeto da União Africana, a existir, de direito e de fato, quando os membros da OUA ratificarem a Constituição redigida para esta finalidade. A primeira conseqüência positiva da União Africana será derrubar as fronteiras geográficas entre os países africanos. Cada pessoa sentir-se-á cidadã africana. Poderá circular livremente de um país a outro e estabelecer vínculos culturais, políticos e econômicos com todos.

A criação de uma moeda única acabará com a exploração das nações por parte das multinacionais e determinará o valor das matérias-primas para todos os países da União. Isso permitirá um crescimento econômico expressivo no interior de cada nação em relação a seu produto interno bruto. O preço das matérias-primas poderá, assim, ser uniformizado para todos os países da União. A exportação dos recursos será regulada pela União e não será mais concebível que as riquezas de uma nação estejam em mãos de poucos. Uma comunhão, ou partilha de bens, será possível entre os próprios países que, unidos, combaterão o fenômeno da pobreza, na qual está mergulhada, e sem saída, elevada porcentagem da população. As relações entre a União Européia e a União Africana e com os Estados Unidos serão transparentes e será possível colaborar em diferentes esferas: educação, saúde e economia.

De fato, o dr. Geremia Scianca, representante da Comissão Européia, afirmou que os problemas da educação e da saúde são as realidades principais a impedir o verdadeiro desenvolvimento nos países da zona África-Caribe-Pacífico. Cada país poderá desenvolver uma política de auto-suficiência e, assim, reduzir a pobreza, implementando os direitos humanos no respeito à justiça. Sem tais garantias, os países africanos não poderão acompanhar os países ocidentais no contexto da globalização. Ao redor da União Africana nasceu a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD), que, em sintonia com a ONU, mobilizará os esforços a fim de sustentar o desenvolvimento dos países menos favorecidos do continente, com o objetivo de ajudar a integração aos parceiros desenvolvidos, promovendo, assim, o diálogo e novas formas de cooperação internacional.

Hoje, no processo de globalização, todos estão conscientes sobre a necessidade de interdependência:

- o Ocidente e o Oriente precisam da África, assim como também ela necessita tanto de um, como do outro. Porém, se alguns países não forem realmente autênticos no relacionamento com os outros, há o risco de apresentarem um rosto falso de si mesmos e, assim, anularem valores e riquezas, que a própria diferença cultural tem a oferecer, para a fundação de uma comunidade mundial, alicerçada sobre a cooperação, a solidariedade, a partilha, a paz, a justiça e a comunhão.


A Organização da unidade africana


A Organização da Unidade Africana (OUA, organização dos governos e dos chefes-de-Estado africanos) obteve sucesso na sua função porque alicerçou-se sobre sólidas bases culturais do continente. Confira alguns resultados já obtidos: a luta pela independência, pela igualdade, liberdade, dignidade, solidariedade e progresso social; contra a escravidão, o colonialismo, o apartheid e o racismo de governos minoritários, a injustiça e o derramamento de sangue; a solução do conflito entre a Etiópia e a Eritréia; a intervenção na República Democrática do Congo, que levou à convenção de Lusaka; a busca da paz em Serra Leoa; a restauração da paz na República federal islâmica das ilhas Comores; a conferência de paz de Arta em favor da reconciliação na Somália. Atualmente, a OUA está engajada na resolução de conflitos e em responder às necessidades do continente.

Limitemo-nos a pensar nos países da bacia do rio Mano (Serra Leoa, Guiné e Libéria); na situação do Burundi, da qual se ocuparam as negociações de paz de Arusha; no aconselhamento dado aos conflitantes de Angola e no sul do Sudão. O organismo também se preocupa com doenças, principalmente com o vírus da Aids, sem negligenciar o problema da malária e da febre hemorrágica, que ainda ceifam muitas vidas. A OUA desempenhou destacadas funções no processo de democratização dos países africanos, ajudando-os a passar de monarquias autocráticas a formas e sistemas participativos da população à vida política da nação.

Entre os principais avanços culturais, creditados às instituições da OUA, podemos citar: a independência total de quase todos os países africanos; a promulgação da Carta Africana de direitos humanos e dos povos, como complemento das constituições nacionais; o processo de democratização de sistemas políticos, como a superação de governos de partido único, por exemplo.


Um africano ao
encontro do outro
por Martin Nkafu Nkemnkia


Venho da República dos Camarões. Sou membro da etnia bangwa, na região ocidental do país. Nasci numa família numerosa de 23 filhos e, como se pode imaginar, desde a infância até a maioridade, vivi sempre em contato com muita gente, a ponto de não saber o que é solidão. Vou expor, em cinco pontos, meu encontro com a alteridade à luz da comunicação africana.

A vida na família e com os amigos

A cultura africana é uma cultura comunitária:

- o sujeito social não é o indivíduo, e sim a comunidade. É na comunidade que recebemos nossa formação de cidadãos, que somos formados nas tradições, que aprendemos nossa língua e amadurecemos nossa identidade pessoal e cultural. Acho que nossos pais fizeram o melhor, tanto quanto possível, para nos educar aos valores constitutivos de nossa cultura.

Entre os que permanecem vivos em mim estão:

- o valor da família, da hierarquia dos membros do mesmo clã e da sociedade. Tais riquezas passam dos pais para os filhos e sua culminância repousa nos antepassados. São estes que nos inserem na sacralidade da vida e no sentido religioso da existência. Dentro disso tudo, cada qual tem um papel indispensável a cumprir na comunidade. Considerando o agir das pessoas, as atitudes nos diferentes momentos da vida diária, o próprio calendário da semana, do mês e do ano, tudo predispõe a festejos comunitários. Os aniversários e os onomásticos representam momentos especiais para todos festejarem comunitariamente.

Festejar, para nós, é importante em função da vida da família e da comunidade; por isso, eu nunca faltava a uma festa na aldeia e às organizadas nas famílias dos meus amigos. A festa, para mim, continua sendo um lugar da fraternidade, da partilha e da reciprocidade, porque nela reina a alegria, percebida nos rostos, onde a tristeza desaparece. Nesses momentos, a comunicação envolve todo o ser da pessoa e da comunidade. Também o corpo se torna veículo da comunicação através da dança, da música, etc. Assim, a festa é critério de avaliação da capacidade pessoal para se relacionar com os demais.


Artesanato e momentos da vida diária de alguns povos africanos

O encontro com outros povos e culturas ocidentais

Tendo freqüentado escolas católicas, tive a possibilidade de ampliar meus conhecimentos e começar a ver para além das fronteiras da minha terra. Nosso conceito africano de “irmão/irmã”, apesar de dilatado, não ultrapassava os limites da tribo. A idéia que o mundo é uma família, e que todos os homens da terra são irmãos e irmãs, foi-nos comunicada pelo cristianismo.

Compreendi que, fora da minha tribo não existem apenas soldados de outras tribos, mas que eles são também meus irmãos. Uma experiência especial marcou-me durante a adolescência. Eu tinha 16 anos quando alguns médicos, membros do Movimento dos Focolares, convidados pelos chefes do nosso povo, chegaram à nossa aldeia para combater a mortalidade infantil que, na época, atingia a maioria das crianças.

Seu empenho e testemunho, além de debelar a mortalidade infantil, marcaram o início de uma nova era para nosso povo. Como eu, muitos jovens sentiram-se atraídos pela mensagem cristã, que caracterizava a vida de tais médicos, e desejavam viver o Evangelho como eles. Porém, nossos povos tinham péssima lembrança da história e do encontro com os ocidentais, que haviam deixado sinais dolorosos: tráfico dos escravos, colonialismo, etc.

Tal domínio originou o conflito entre o mundo africano e o ocidental. Não existia confiança no relacionamento com os europeus, até quando isso parecia indispensável. Havia o medo de iniciar um diálogo entre as duas culturas. Mas aqueles brancos, por sua maneira de ser e de agir, derrubaram completamente nossos preconceitos, fazendo brotar entre todos um clima de amizade e de fraternidade universal. Eles tinham o espírito evangélico, que a todos abraça.


O encontro com outros povos e culturas do mundo

O encontro e a convivência com os membros do Movimento dos Focolares, provenientes de diversos países da África, da Europa, da Ásia e das Américas, tornou-se, para mim, uma chance de ouro para a percepção da própria identidade como cidadão do mundo. Não faltaram dificuldades, mas o desejo de pertencer ao mundo foi mais forte. “O rosto do outro” tornou-se cada vez mais o espelho para minha identidade. Minha cultura africana renasceu, ao me encontrar com as outras culturas do mundo.

Vivendo o Evangelho no dia-a-dia, amadureceu em nós a visão pluridimensional da realidade, que nos une a outros povos do mundo para a formação do cidadão do amanhã. Mas vigiamos sempre sobre nosso relacionamento recíproco. Queremos chegar ao conhecimento e à aceitação do diferente, porém sem reduzir a cultura alheia à nossa própria cultura; queremos cultivar o processo de integração e o diálogo, de maneira a preservar a identidade original de cada um, embora adquirindo, ao mesmo tempo, a novidade que cada cultura oferece.


“Vitalogia africana”

Minha estadia na Itália, por motivos de estudo, marcou-me como uma passagem sem volta. Como eu, muitos jovens africanos invejam o Ocidente pelo desenvolvimento do saber. Quase todos os ocidentais que eu conhecera na África eram profissionais especializados e ocupavam os cargos de maior responsabilidade. Sua ciência consentia isso. Quando me matriculei na faculdade de filosofia para perscrutar a profundidade do pensamento ocidental, sonhava, como todos os estudantes, em me tornar um grande filósofo e, assim, contribuir para o conhecimento do mundo e me aproximar aos mistérios da verdade, fundamento de cada identidade individual-pessoal.No transcorrer dos estudos, reparei, aos poucos, que eles me levavam, sim, a um conhecimento profundo da realidade, visto, porém, apenas pela ótica ocidental.

E me posicionei em atitude crítica frente a isso. Minha intenção era de aprender algo novo, mas também de doar algo da minha cultura. Participei de atividades interculturais em congressos, seminários, fóruns. Cheguei, na época do doutorado, a criar o neologismo “vitalogia africana”, expressão que designa a maneira africana de traduzir o pensamento humano, semelhante ao conceito ocidental de filosofia, mas que também se distingue dele. De fato, a primeira forma de interrogação sobre o homem, pela lógica africana, é uma questão sobre a vida. A resposta é que se pode encontrar o sentido da vida quando se compreende o sentido do outro, através da categoria de relação.


Dicionário intercultural

Agora estou dando minha contribuição ao processo de comunicação e diálogo intercultural, disseminando a cultura, o pensamento e a religião africanos, através de diferentes cursos em universidades eclesiásticas de Roma. Não podia escolher lugar melhor para isso, pois, em cada dia, é possível experimentar, com estudantes de todos os continentes e áreas culturais, as maravilhas das diferentes culturas.


Iniciamos juntos um empreendimento incomum:

- um dicionário intercultural, onde cada um define o mesmo termo, ou expressão, a partir da sua área cultural. Já percebemos que o pluralismo cultural deveria ser procurado na forma como são entendidos os valores nas diferentes culturas, e não na condição humana, que é uma só.

Cartas da Declaração da Independência (EUA e BRA)

A Declaração de Independência dos EUA
No Congresso, 4 de julho de 1776, Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América.

Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito às leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.

Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar lhe a segurança e a felicidade.

Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança.

Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo:

Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.

Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.

Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grandes distritos de povo, a menos que abandonassem o direito à representação no Legislativo, direito inestimável para eles, temível apenas para os tiranos.

Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, ser conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento às medidas que lhe conviessem.

Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque: opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo. Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna. Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.

Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.

Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários. Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.

Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos. Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior. Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação: por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;

Por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados.
Por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo;
Pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento;
Por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;
Por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas;
Por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias; por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;
Por suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos. Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós. Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.

Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada. Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem por suas mãos.

Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.

Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano não está em condições de governar um povo livre. Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável. Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui.

Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consanguinidade. Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.

Nós, por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.
John Hancock


New Hampshire
Josiah Bartlett
William Whipple
Matthew Thornton

Rhode Island
Step. Hopkins
William Ellery

Connecticut
Roger Sherman
Sam'el Huntington
Wm. Williams
Oliver Wolcott

New York
Wm. Floyd
Phil. Livingston
Frans. Lewis
Lewis Morris

New Jersey
Richd. Stockton
Jno. Witherspoon
Fras. Hopkinson
John Hart
Abra. Clark

Pennsylvania
Robt. Morris
Benjamin Rush
Benj. Frankllin
John Morton
Geo. Clymer
Jas. Smith
Geo. Taylor
James Wilson
George Ross


Massachusetts-Bay
Saml. Adams
John Adams
Robt. Treat Paine
Elbridge Gerry

Delaware
Caesar Rodney
Geo. Read
Tho. M'Kean

Maryland
Samuel Chase
Wm. Paca
Thos. Stone
Charles Carroll of Carrollton

Virginia
George Wythe
Richard Henry Lee
Th. Jefferson
Benj. Harrison
Ths. Nelson, Jr.
Francis Lightfoot Lee
Carter Braxton

North Carolina
Wm. Hooper
Joseph Hewes
John Penn

South Carolina
Edward Rutledge
Thos. Heyward, Junr.
Thomas Lynch, Junr.
Arthur Middletown

Georgia
Button Gwinnett
Lyman Hall
George Walton

Direitos e Deveres


A Constituição dos Estados Unidos da América é a lei fundamental daquele país. A constituição estabelece o estado federal, a separação de poderes e os direitos fundamentais.

Em 1787, os Estados Unidos proclamaram sua primeira e, até hoje, única Constituição. A Constituição exprime um compromisso entre a tendência republicana defendida por Jefferson, que queria grande autonomia política para os Estados membros da federação e a tendência federalista que lutava por um poder central forte.

O Presidente dos Estados Unidos da América é eleito pelo período de quatro anos pelos cidadãos eleitores num sistema em que os candidatos não ganham diretamente pelo número absoluto de votos no país, mas dependem da apuração em cada Estado, que manda para uma espécie de segunda eleição votos em número proporcional a sua população para o vencedor em seu território.

Duas casas compõem o Congresso: a Câmara dos Representantes, com delegados de cada Estado na proporção de suas populações; e o Senado, com dois representantes por Estado. O Congresso vota leis e orçamentos. O Senado vela pela política exterior principalmente.

Uma Corte Suprema composta por juízes indicados pelo Presidente e aprovados pelo Senado resolve os conflitos entre Estados e entre estes e a União, garantindo a supremacia da Constituição Federal em relação às Constituições estaduais e as leis do país.


A Declaração de Independência do Brasil
Carta de Dom Pedro I

O contexto da Independência do Brasil, há 177 anos atrás, envolvia diversas questões, além de um suposto "patriotismo nacional". Ao romper com as determinações de Lisboa, o príncipe regente, que tornou-se D.Pedro I, elaborou da seguinte maneira sua fala aos paulistas, quando de seu retorno à capital, no Rio de janeiro :


Honrados paulistanos:

O amor que eu consagro ao Brasil em geral, e à vossa província em particular, por ser aquela que, perante mim e o mundo inteiro, fez conhecer primeiro que todo o sistema maquiavélico, desorganizador e faccioso das Cortes de Lisboa me obrigou a vir entre vós fazer consolidar a fraternal união e tranquilidade, que vacilava e era ameaçada por desorganizadores que em breve conhecereis, fechada que seja a devassa a que mandei proceder.

Quando eu mais que contente estava junto de vós, chegam notícias que de Lisboa os traidores da nação, os infames deputados pretendem fazer atacar ao Brasil, e tirar-lhe do seu seio seu defensor. Cumpre-me como tal tomar todas as medidas, que minha imaginação me sugerir; e para que estas sejam tomadas com aquela madureza que em tais crises se requer, sou obrigado para servir ao meu ídolo, o Brasil, a separar-me de vós (o que muito sinto), indo para o Rio ouvir meus conselheiros, e providenciar sobre negócios de tão alta monta. Eu vos asseguro que coisa nenhuma me poderia ser mais sensível do que o golpe que minha alma sofre, separando-me de meus amigos paulistanos, a quem o Brasil e eu devemos os bens, que gozamos, e esperamos gozar de uma Constituição liberal e judiciosa.

Agora, paulistanos, só vos resta conservardes união entre vós, não só por ser esse o dever de todos os bons brasileiros, mas também porque a nossa pátria está ameaçada de sofrer uma guerra, que não só nos há de ser feita pelas tropas que de Portugal forem mandadas, mas igualmente pelos seus servis partidistas e vis emissários, que entre nós existem atraiçoando-nos.

Quando as autoridades vos não administrarem aquela justiça imparcial, que delas deve ser inseparável, representai-me, que eu providenciarei. A divisa do Brasil deve ser “Independência ou Morte!”. Sabei que, quando trato da causa pública, não tenho amigos e validos em ocasião alguma.

Existi tranquilos: acautelai-vos dos facciosos sectários das Cortes de Lisboa; e contai em toda a ocasião com o vosso defensor perpétuo.

[Ass.] Príncipe regente